Drica Didi


Renato Ortiz

As Ciências Sociais na América Latina têm uma obsessão pelo nacional, e isso nos impede de pensar outras coisas”

 



Escrito por Adriana às 10h44 [   ] [ envie esta mensagem ]





Constantemente escutamos alguém falar sobre globalização. A palavra é muitas vezes é utilizada para designar um processo típico da segunda metade do século XX que conduziu a crescente integração das economias e das sociedades dos vários países, especialmente no que se refere à produção de mercadorias e serviços, aos mercados financeiros, e à difusão de informações e de culturas.

Dizer que a cultura está globalizada é dizer que ela ultrapassou as fronteiras do mercado local e conseguiu atingir outros nichos, outros países, mesmo que se afrontando. Mas, será mesmo que isso acontece? O que sabemos é que a disseminação da cultura globalizada tem influenciado os padrões de comportamento, provocando uma verdadeira ou falsa valorização da tradição e um fortalecimento dos regionalismos manifestos na identidade cultural. Nos últimos anos ela tem se fixado como uma construção social estabelecida e tem feito as pessoas se sentirem mais próximas, mas não semelhantes.

Vários autores escreveram sobre o assunto, a exemplo de Canclini, Castells, Featherstone, Giddens, Hall. Entre os sociólogos brasileiros estão Otávio Ianni (um dos maiores sociólogos brasileiro já falecido) e Renato Ortiz que evidenciam, em recentes estudos, que a atual fase da globalização vem provocando reações que buscam uma redescoberta das particularidades, das diferenças e dos localismos. Para entender um pouco mais sobre este processo entrevistei o professor paulista Renato Ortiz, na tentativa de saber como se encontra hoje as discussões a respeito da globalização da cultura. Com um recente livro lançado pela Editora Brasiliense, intitulado “Mundialização, Saberes e Crenças”, o professor Ortiz comentou como surgiu seu interesse pelo tema, fala sobre a dificuldade das ciências sociais em abordar novas questões sobre a sociedade, faz algumas criticas ao monopólio da força da Organização das Nações Unidas (ONU), a institucionalização das pesquisas científicas e outros assuntos. Leia a entrevista:

 

Quando e como surgiu o seu interesse em estudar o processo de globalização da cultura?

Meu interesse pelo processo de globalização partiu inicialmente do Brasil. Eu havia terminado meu livro "A Moderna Tradição Brasileira", e no último capítulo, avancei a idéia de uma cultura "internacional popular". Ou seja, parecia-me impossível compreender um conjunto de aspectos da realidade brasileira limitando-se ao contorno de uma única nação. Isso levou-me a expandir minha compreensão sobre a modernidade, que agora adquiria uma dimensão mundial, e elaborar um projeto sistemático de estudo que redundou nos diversos livros que venho publicando desde então.



Escrito por Adriana às 10h39 [   ] [ envie esta mensagem ]





Quando o senhor e o professor Otávio Ianni começaram a discutir sobre globalização das sociedades e mundialização da cultura nas Ciências Sociais parecia que eram fenômenos distantes de nós humanos. Passado todo o impacto que os estudos provocaram na época, como é que o senhor observa nos dias atuais o processo da globalização e mundialização da cultura?

            Comecei a trabalhar a problemática da globalização no final dos anos 80, e logo em seguida, Ianni também se interessou pelo tema. Sorte minha, nesses anos todos pudemos conversar e discutir sobre o mundo contemporâneo, suas transformações e dilemas. Ainda no início dos anos 90 iniciamos um seminário no Instituto de Estudos Avançados da USP, e ganhamos um interlocutor de peso, Milton Santos, que juntou-se à nós. Neste momento a problemática era ainda incipiente nas Ciências Sociais e muitos, sobretudo, à esquerda, acreditavam tratar de um simples fenômeno ideológico, carente de qualquer base material concreta. Digamos que de uma certa forma "nadamos contra a corrente".

 

As Ciências Sociais acordou de fato para a dimensão dessa realidade?

Sim e não. O sim pode ser avaliado no conjunto de reflexões que encontram-se materializadas em livros e artigos, e o digo, em escala mundial. O não, mostra quanto as Ciências Sociais têm dificuldade para abordar problemáticas novas, principalmente aquelas que implicam na renovação, pelo menos parcial, do quadro conceitual com o qual elas operam. O tema da globalização não é apenas um tema novo, ele requer a revisão de um conjunto de conceitos tradicionais da disciplina. Por exemplo: o Estado-nação. Não se trata de pensar o seu desaparecimento, isso é insensato, mas compreender criticamente, como as Ciências Sociais tomaram o Estado-nação como uma evidência para construir muitas de suas categorias de pensamento. Esta "evidência", hoje se esvaneceu.

 

Na sua opinião, como se encontra a pesquisa científica nas Ciências  Sociais e Humanas?

 

No caso brasileiro é possível dizer que o desenvolvimento de um sistema de pós-graduação em escala nacional impulsionou a prática das Ciências Sociais de uma forma até então desconhecida. Ela se "rotiniza" (deixa de ser excepcional) e se institucionaliza permitindo que um conjunto de pesquisas possam ser realizadas. Possuímos hoje, devido à uma serie de estudos específicos, um conhecimento maior do que no passado a respeito de várias manifestações sociais. O desenvolvimento da Sociologia, Antropologia, Ciência Política, História, certamente contribuíram para isso. No entanto, as Ciências Sociais se especializaram demasiadamente. Perde-se assim uma visão de totalidade, que na prática, devido à uma certa taylorização do conhecimento, contenta-se com uma perspectiva parcial e fragmentária dos fenômenos sociais.



Escrito por Adriana às 10h35 [   ] [ envie esta mensagem ]





Durante a jornada multidisciplinar promovida pelo Departamento de  Ciências Humanas da Unesp, em Bauru, no ano de 2002, numa de suas palestras, o senhor explicava que a globalização "não é um paradigma e nem era o fim da nação". Daria para o senhor explicar a diferença entre globalização e mundialização para os nossos leitores?

 

            A globalização é um processo que define uma situação específica. Não se trata de um paradigma novo que substituiria um paradigma velho. Esta visão dualista nada traz de útil. Na situação de globalização o velho e o novo se manifestam, convivem, se complementam e entram em conflito. Neste sentido, não há porque imaginar o fim da nação. Como formação social ela permanece nesta situação, isto é, um contexto no qual suas forças e ambições são modificadas. Quanto à diferença conceitual que forjei entre mundialização e globalização, ela tem a intenção de distinguir diferentes níveis de um mesmo processo. A idéia de global refere-se à noção de unicidade: vivemos um único mercado global (o capitalismo) e um único sistema técnico. Mas não é possível dizer, vivemos uma única cultura global. Para exprimir esta diferença entre a dimensão econômica e tecnológica de um lado e a dimensão cultural de outra, preferi dizer: o processo de globalização tecnológica e econômica se associa ao da "mundialização" da cultura. Ou seja, existe um movimento de integração econômica, comunicacional, tecnológico em escala global, mas ele não configura "uma" cultura global, e sim um contexto no qual diversas culturas e concepções de mundo se afrontam. Dito de outra forma: a globalização não é sinônimo de homogeinização.

 

No meio de tantas guerras e distorções socais na sua opinião para que serve a construção dessa ordem internacional tão discutida pela Organização das Nações Unidas (ONU)?

Toda a discussão em torno da ONU diz respeito ao monopólio da força. Ou seja, quem possuiria a legitimidade de deflagrar conflitos armados em escala mundial. Há uma tensão entre a vontade do Estado-nação (por exemplo a invasão do Iraque pelos Estados Unidos) e uma instituição, constituída por vários estados-nação, cuja pretensão é arbitrar a ordem internacional. O problema é que a ONU é uma herança do início da guerra fria, ela privilegia os países que possuem o direito de veto e marginaliza os outros, inexistentes, do ponto de vista decisório,

 

Algumas pessoas falam bem da globalização/mundialização e outras mal de suas teorias. O que de bom e de ruim traz o processo de globalização/mundialização da cultura para sociedade?

Uma teoria não é nem boa nem má, a não ser do ponto de vista da compreensão dos fenômenos que procura explicar. A realidade é no entanto, outra coisa. No contexto da globalização existem certamente mais problemas do que virtudes. Ao se romper a ordem das coisas o mundo contemporâneo tem dificuldade em encontrar um caminho a ser trilhado. O futuro imaginado no projeto do Estado-nação, torna-se agora duvidoso. Neste sentido, vivemos uma era de maior incerteza e de pessimismo. Há ainda uma "ideologia da globalização" que se exprime particularmente nas propostas das grandes transnacionais, elas nos dizem que o mundo do mercado é o reino da felicidade e se esforçam em nos convencer de que tudo está bem.

Renato Ortiz é natual de Ribeirão Preto (SP). Doutor em Sciences  Sociales (Paris). 



Escrito por Adriana às 10h34 [   ] [ envie esta mensagem ]





A literatura da área mostra que o senhor é um dos poucos pesquisadores brasileiros que se dedica ao estudo e análises em torno de questões tais como modernidade e pós-modernidade, internacionalização, globalização e mundialização. Por que isso acontece?

            Provavelmente porque acredito que não se possa mais explicar a realidade exclusivamente a partir de um ponto de vista nacional. As Ciências Sociais na América Latina têm uma obsessão pelo nacional, isso nos impede de pensar outras coisas.

 

Quais as conseqüências da globalização para as novas gerações?

 

É difícil de se avaliar. Elas certamente terão um horizonte de socialização mais amplo do que as gerações anteriores, imersas apenas nas realidade locais e nacionais. No entanto, elas terão também de enfrentar os problemas e os desafios que esta nova realidade impõem.

 

Quais as conseqüências da modernidade na produção cultural dos países de economia periférica?

Como podemos separar, de forma didática, as culturas "produzida pelas instituições governamentais" e a cultura que nasce e se recria nas feiras livres do interior deste imenso país.

 

Em pleno século XXI, as análises da Escola de Frankfurt ainda são válidas para separar as culturas erudita, popular de massa?

 

            Os pensadores frankturtianos nos deixam um herança importante, a necessidade de pensarmos criticamente a sociedade e não nos conformarmos com as explicações correntes do senso comum e dos interesses particulares. Entretanto, é necessário compreender que este tipo de reflexão encontra-se vinculado à um contexto muito específico, a emergência da sociedade industrial de massa (particularmente nos Estados Unidos dos anos 40) que encontra-se hoje inteiramente modificado. A própria oposição entre cultura erudita e popular, dificilmente poderia ser trabalhada nos termos em que foi elaborada anteriormente.

 

O senhor considera que os intelectuais brasileiros estão afastados das manifestações de cultura popular?

A questão não é mais a distância entre intelectuais e cultura popular. O próprio conceito se transforma com o advento da modernidade industrial (trabalhei este aspecto em meu livro "A Moderna Tradição Brasileira") e a mundialização da cultura. A questão é saber de que cultura popular estamos falando.

Escrito por Adriana às 10h33 [   ] [ envie esta mensagem ]





"Peitica" Cultural na Paraíba

Lau Siqueira - Diretor Executivo da Funjope

 Vereador Tavinho Santos do PTB

 



Escrito por Adriana às 13h09 [   ] [ envie esta mensagem ]





O vereador de João Pessoa, Tavinho Santos (PTB) está inquieto querendo saber por que a administração municipal não lançou o edital para a inscrição de projetos culturais de vários artistas de João Pessoa. De acordo com político a Prefeitura tem, por ano, no Orçamento, 1,9% para o Fundo Municipal de Cultura (Lei Viva Cultura) e esse dinheiro não vem sendo investido nesses projetos. “Estamos completando um ano e quatro meses de Governo Ricardo Coutinho e até agora nenhum projeto foi aprovado, simplesmente porque o edital não foi publicado”, disse o vereador através de material de divulgação de sua assessoria.

O diretor executivo adjunto da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Lau Siqueira, disse que o vereador Tavinho não é a pessoa mais indicada para falar do Fundo Municipal de Cultura. De acordo com Lau, ele fez parte, como secretário, foi da base de apoio e continua num grupo que administrou caoticamente o FMC. “Tavinho deveria mesmo era explicar publicamente o rombo de 188 mil deixado pela gestão da qual fez parte, exatamente no FMC. Também deveria explicar a extrema desorganização que herdamos, com processos e documentos espalhados pelas secretarias e um débito incalculável de alguns artistas que até hoje não conseguiram prestar contas dos seus projetos. O vereador deveria explicar essa irresponsabilidade antes de questionar a necessidade de mudanças”, respondeu as críticas.

O político Tavinho disse ainda que desde a criação do Fundo a Cidade já tem um número considerável de produções culturais em diversas áreas, como teatro, cinema, música, além de outras atividades. “Os produtores esperam até hoje inscrever seus projetos, que serão selecionados e aprovados por uma Comissão, designada pela Prefeitura”, comentou.

Para o político Tavinho Teixeira, tal atitude gera um prejuízo de dois milhões de reais por ano, que poderiam ser investidos na produção cultural da cidade. “A lei de incentivo a cultura foi uma das maiores conquistas da classe cultural e toda a produção cultural está sensivelmente prejudicada porque está à mercê desta publicação, muitos CDS, livros, exposições e apresentações estão aguardando”, desabafou.

Muito “preocupado” com a cultura, o político, Tavinho Santos, disse que a respeito aos comentários na área cultural de João Pessoa, de que a prefeitura estaria realizando estudos para transformar a lei de incentivo a cultura no Fundo Empreender de Cultura: “Eles além de estarem jogando o dinheiro da cultura no lixo, querem emprestar ao invés de investir. É uma falta de sensibilidade tremenda”, frisou, acrescentando que tal iniciativa inviabiliza a prática cultural em João Pessoa: “Como uma pessoa que pretende lançar um bumba-meu-boi, ou uma quadrilha junina terá condições de pagar depois?”, questionou.

Em resposta aos questionamentos e críticas do político, Lau Siqueira, disse que a criação do empreender cultural terá o objetivo de fomentar o mercado na área, para que alguns grupos culturais adquiram sua autonomia e deixem de ser massa de manobra de políticos sem escrúpulos. “Quem possui um projeto sustentável financeiramente precisa mesmo devolver aos cofres públicos o dinheiro arrecadado em forma de empréstimo, como acontece com qualquer pequeno comerciante, cliente do empreender-JP. A fundo perdido, somente os projetos que têm um alcance social e não visam lucro é que devem ser integralmente financiados pelo poder público, ou seja, pelo Fundo. Não podemos mais conviver com projetos 100% financiados com dinheiro público e vendidos a preço de mercado ou até acima do mercado. Esta é a realidade que queremos transformar”, finalizou.

Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em março de 2006.



Escrito por Adriana às 12h52 [   ] [ envie esta mensagem ]





Dida - O Pensador Virtual

Cantor e compositor busca recursos para finalização do DVD

Foto: Divulgação



Escrito por Adriana às 12h49 [   ] [ envie esta mensagem ]





           O cantor e compositor paraibano Dida Fialho está em João Pessoa na tentativa de captar recursos a gravação de um DVD/CD e para uma série de 27 shows pelo país, que irá contar um pouco de seus 30 anos de carreira artística. O projeto, segundo Dida, foi idealizado por Gilvan de Brito, inscrito e aprovado na Lei Estadual de Incentivo a Cultura do Rio de Janeiro.

          O projeto se refere a um DVD/CD com doze músicas com vários temas, dirigido pelo cineasta Gilvan de Brito, responsável pela realização de vários curtas-metragens institucionais e longas no Rio de Janeiro, São Paulo e outros Estados.

          O DVD/CD, que irá se chamar “Pensadores Virtuais”, será apresentado nas cidades de Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio, Búzios, Angra dos Reis, Nilópolis, Parati, Miguel Pereira, Petrópolis, Teresópolis, Resende, Macaé, Volta Redonda, Nova Friburgo, São João da Barra, Itaperuna entre outros municípios. A intenção, de acordo com o cantor, é inserir a Paraíba neste circuito também, com apresentações aqui.

            No ano passado Dida Fialho lançou o disco “Pensadores Virtuais”, o primeiro de sua carreira, produzido em 2003. A demora, segundo o cantor, aconteceu porque sempre foi muito exigente e primou por um trabalho de qualidade. O disco foi produzido por Jota Moraes, gravado no estúdio Joala no Rio de Janeiro por Julinho Barbosa.

            O trabalho traz uma seleção de músicas nunca antes editada em CD pelo artista. A maioria das canções são de sua autoria e outras em parceria com Livardo Alves, Deso Philho, Gilvan de Brito, Irani Medeiros, Humberto de Almeida e duas outras canções que interpreta, um delas de Chico César (Do Além, faixa 6).

            São músicas possuem um alto grau de poesia e musicalidade que caracteriza muito bem a música popular paraibana. “Sol Maior” é canção dedicada a Gloria Vasconcelos, em que fala da dicotomia entre o amor e a paixão. Em Bossa Nova, faixa 10, é novamente o amor que ele canta, uma canção arranjada por Jota e Dodô Moraes. “Essa música foi composta na época das serenatas, coisa que hoje não existe mais”, lembrou o cantor.

            Uma das músicas que chama atenção é “Cantador de Rua”, em que rende homenagem a todos os tipos de cantadores, daquele que grita para vender seus produtos no camelô a dobradiça de uma janela.

            Dida Fialho fez parte da geração anterior ao Jaguaribe Carne. Foi integrante do grupo folclórico do Liceu Paraibano. Cantou no Coral Universitário da Paraíba que tinha como regente Clovis Pereira. No ano de 1975, participou da primeira coletiva de musica com o grupo Ave Viola, com quem gravou o disco "Requien para o Circo", com a participação de Zé Ramalho. Ele viajou todo o Brasil com a peça Teatral o "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, espetáculo dirigido por Fernando Teixeira.

Na sua caminhada musical percorreu todo o interior de São Paulo realizando shows de música produzido por Pedro Neves. Participou de vários festivais de música em São Paulo. Participou do Projeto Pixinguinha edição Nordeste. Há 12 anos tem residência fixa no Rio de Janeiro, o que ampliou o seu currículo artístico, fazendo parceria com músicos de expressão da Música Popular Brasileira (MPB), a exemplo de Jota Morais (maestro arranjador).

No teatro ainda integrou a montagem do espetáculo "Morte e Vida Severina", de autoria de João Cabral de Melo Neto, numa produção da Casa da Gávea e direção geral de Cristina Pereira. De volta a Paraíba, ganhou o 7º Forró Fest da TV Globo Paraíba com a música "Cantador de Rua".

 

Serviço:

Dida Fialho - Pensadores Virtuais

A venda no Sebo Cultural

Preço: R$ 20,00

Publicado no caderno Show do jornal O Norte em Fevereiro de 2006.



Escrito por Adriana às 12h43 [   ] [ envie esta mensagem ]





GUERRA DOS LIVROS

A sua criação vem se transformando em uma pendenga político-cultural aparentemente sem motivos

Foto: www.forgrad.ufam.edu.br



Escrito por Adriana às 20h44 [   ] [ envie esta mensagem ]





O livro passou, nos últimos anos, a ser um dos produtos culturais mais comentados no Brasil, devido as bienais de livros que estão espalhadas por todo País, e pelas campanhas de reconhecimento a garantia ao acesso à leitura realizada pelo Ministério da Cultura (Minc), em conjunto com o Ministério da Educação há alguns anos. Na Paraíba, a criação da Bienal do Livro passou a ser alvo de uma pendenga político-cultural aparentemente sem motivos. E, como sempre acontece, foi motivo de pauta de discussão obrigatória nas rodas culturais de João Pessoa.

Dois grupos disputam a criação do evento, um deles liderado pela escritora Clotilde Tavares, que há três anos está à frente da Bienal Nacional do Livro de Natal, no Rio Grande do Norte. Ela conta que o convite para criação do evento, em João Pessoa, surgiu de amigos paraibanos que sempre questionavam sobre a não existência de um evento desta natureza na Paraíba, tendo em vista que o Estado sempre foi referência na área literária e possuir nomes expressivos na literatura brasileira.

Clotilde Tavares disse que lamenta que fatos como estes aconteçam e que a empresa Acessus Eventos e Comunicação, com a qual trabalha, procurou os organizadores da outra Bienal para que juntos realizassem um só evento. "Mas, eles não quiseram", comentou a escritora que diz que os preparativos para a Bienal do Livro da Paraíba estão a todo vapor.

O evento deve acontecer no período de 20 a 28 de maio, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, e segundo Clotilde Tavares, tem presença confirmada de escritores conhecidos do meio literário nacional, a exemplo do jornalista José Nêumanne Pinto, o poeta e crítico Affonso Romano de Sant'Anna e a escritora Marina Colasanti.

Como também estão confirmadas as presenças de editoras bastante atuantes no Estado. Entre elas, uma das apoiadoras do evento, a Editora Grafset, que tem uma grande participação no mercado com livros didáticos regionais. Além de editoras e livreiros nacionais, presentes na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e outros que já fizeram a sua adesão à Bienal do Livro da Paraíba, como a Editora Cortez, Editora Global, Editora Paulus, Editora Paulinas, Barsa Planeta e outras.

A estimativa dos organizadores é que a Bienal Nacional do Livro da Paraíba tenha uma freqüência de público de 100 mil visitantes, com um fluxo de 12 mil pessoas ao dia, nos nove dias do evento, contribuindo para o crescimento intelectual e cultural do nosso Estado. A Bienal Paraibana do Livro

O segundo grupo que está na disputa pela realização de uma Bienal do Livro na capital paraibana é a Ong BB&C (Construindo a Cidadania), cujos representantes dizem ser idealizadores do evento, pois haviam criado a I Bienal Paraibana do Livro, antes mesmo da Bienal Nacional do Livro da Paraíba existir, e tinha, até alguns meses atrás, previsão para acontecer, no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego.

A curadora da Bienal Paraibana do Livro, a professora Marília Guedes Pereira, contou em entrevista ao O NORTE, há alguns meses atrás, que a demora para a realização da Bienal, coordenada por ela, aconteceu porque o projeto enviado ao Minc ainda não tinha sido aprovado, mas que o final do ano passado o projeto foi aprovado pela Ministério da Cultura (Minc) e automaticamente tem o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Nacional de Livrarias (ANL) e da RPS Assessoria e Promoção de Eventos, empresa que trabalha na formatação de contratos com editoras e livrarias para grandes eventos nacionais, a exemplo da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.

O assessor de imprensa da Bienal Paraibana do Livro, Leandro Ramalho, da Pauta Comunicação, disse que até o presente momento é certo que o evento aconteça no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego. De acordo com Leandro, a curadora Marília Guedes se encontra em São Paulo tentando captar recursos, patrocínios e apoios, buscando parcerias com entidades privadas e com o setor público.

Até o momento, dizem os organizadores, não existe confirmação nenhuma de nomes de escritores consagrados nacionalmente que venham abrilhantar o evento. A única certeza que eles têm é que a Bienal Paraibana do Livro terá como enfoque principal a valorização dos escritores paraibanos, sem deixar de valorizar o trabalho de autores nacionais e nordestinos.

Dentro da programação está sendo cogitado concursos literários, feiras, oficinas, palestras de escritores, tardes e noites de autógrafos, debates com autores, mostras de literatura de cordel, trabalhos de divulgação de literatura infantil, leitura de obras, estandes para visitação entre outras atrações.



Escrito por Adriana às 20h39 [   ] [ envie esta mensagem ]





Opinião dos livreiros pessoenses

 

Para os donos de livrarias e pequenas editoras locais, as bienais têm um lado positivo e outro negativo. Para o livreiro e proprietário da Editora e Livraria Nova Idéia, Magno Nicolau, o lado bom das bienais é o fato de que elas incentivam, abrem caminhos para a leitura e apresentam ao público os novos escritores locais. O lado negativo é o preço dos estandes para exposição dos livros. "Estão muito caros para nossa realidade", comentou.

Magno disse ainda que tanto a livraria como a editora pretendem expor o material, fazendo, talvez, uma parceria com outras editoras. Na opinião dele, as bienais do livro fazem bastante sentido nos grandes centros do país. "Porque lá existe uma rotatividade maior do público", disse o editor que recentemente inaugurou a Livraria Idéia.

O gerente de vendas da Livraria Almeida, Antônio Oliveira, também questionou sobre os mesmos motivos. "Além do que muitos não estão sabendo destas bienais", ressaltou. A Livraria Almeida tem participado com freqüência das feiras de livros em João Pessoa e Recife (PE), com isso constatando que viver do livro na Paraíba é muito difícil.

Heriberto Coelho, da Livraria e Sebo Cultural, disse que não estava ainda por dentro da programação das bienais e que até o dia 2 de abril irá decidir se de fato participa ou não da Bienal, devido também ao preço dos estandes para exibição dos livros. A preocupação maior de Heriberto Coelho, que tem um dos mais completos sebos de livro e disco da cidade, é com a venda dos livros dos autores regionais, que não vendem tão bem e ainda dispõe de pouco espaço.



Escrito por Adriana às 20h38 [   ] [ envie esta mensagem ]





Professoras lançam CD Rom com estudo sobre discurso de José Lins do Rego

Foto: Arquivo Jornal O Norte

 



Escrito por Adriana às 20h34 [   ] [ envie esta mensagem ]





"Movimentos do Discurso de José Lins do Rego" é o nome do mais novo trabalho acadêmico, em CD-Rom, de autoria da professora e escritora Sônia Maria van Dijck Lima, que será lançado nesta quinta-feira, 11, às 19h00, no Parahyba Café da Usina Cultural da Saelpa, localizada no bairro de Tambiá, em João Pessoa.

O trabalho consiste na crítica genética da obra memoralística e autobiográfica, "Meus Verdes Anos", do paraibano José Lins do Rego, em que verifica a construção da linguagem popular regional, do narrador, narratário e das personagens femininas. No CD podem ser encontrados análises de fragmentos do discurso de "Meus VerdesAnos", fotos, capas das primeiras edições de "Menino de Engenho" e de "Meus Verdes Anos", e a bibliografia consultada.

Todo o estudo foi encampado pela Editora Universitária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem como co-autoras às pesquisadoras Marilene Carlos do Vale Melo e Maria Lúcia de Souza Agra. A pesquisa científica teve apoio do projeto "Atelier José Lins do Rego" *, no período de 1988 a 2001. A trilha sonora é do grupo Quinteto Itacoatiara, com capa e etiqueta do CD compostas por Geraldo Profeta Lima.

Sônia Maria Van Dijck Lima é mestre em Letras pela UFPB, doutora em Letras (USP), com pós-doutorado em Letras e Literatura Brasileira (UNESP-Araraquara), professora de Literatura Brasileira da UFPB, pesquisadora de arquivos (história da literatura, crítica genética), além de contista e poeta bissexta.



Escrito por Adriana às 20h31 [   ] [ envie esta mensagem ]





Por que o manuscrito de José Lins do Rego e não um dos livros dele?

Porque para estudar a construção da linguagem você não estuda no livro onde ela está parada. Você só tem os movimentos dessa construção se estudar os originais, os rascunhos, os projetos de obra, etc.

 

Como surgiu a idéia de fazer um trabalho como este?

Sou pesquisadora de arquivo (história da literatura e crítica genética). E já havia estudado Hermilo Borba Filho, do ponto de vista da crítica genética. Como hoje estou trabalhando com Guimarães Rosa, "Sagarana", também como crítica genética. Um dos estudos possíveis sobre José Lins do Rego era o estudo dentro dessa abordagem que ninguém tinha feito. No caso de "Meus Verdes Anos" é o último livro da série de José Lins do Rego e é o documento disponível aqui na Paraíba, que foi depositado no Espaço Cultural. Havia o interesse de fazer um estudo que ainda não tivesse sido feito. Aliado à felicidade do documento original estar depositado na Paraíba, e à felicidade do fato de esse documento corresponder à última obra publicada em vida pelo autor. A primeira edição de "Meus Verdes Anos" é de 1956, e ele morreu em 1957. A segunda edição, quando saiu, ele havia falecido. Então, aconteceu uma série de coincidências felizes, digamos assim. Um autor que não havia sido estudado, do ponto de vista metodológico, e o documento para esse estudo estar depositado na Paraíba. Além de encontrar uma equipe de pesquisadores com interesse de aprender a trabalhar com essa metodologia.

 

O trabalho de pesquisa esteve todo ligado ao projeto "Atelier José Lins do Rego". Que projeto é esse?

O "Atelier"** foi um projeto de minha autoria e sob minha coordenação. Pertencia à minha linha de pesquisa na pós-graduação da UFPB. Seus objetivos estavam voltados para a arquivologia e para a crítica genética. Foi dentro desse projeto que o trabalho foi passado para CD Rom. Nós publicamos quatro catálogos. Fizemos uma exposição de documentos. Saíram livros publicados. Dissertações de mestrado. Trabalhos em Anais, capítulos de livros e, finalmente, a análise do documento de "Meus verdes anos", que, agora, publicamos no CD Rom.

 

Uma das personagens que você cita no manuscrito é a Safira, que teve uma função na formação do menino Dedé, mas que na publicação final ela recebeu outro nome. Como foi essa descoberta?

Safira é o nome encontrado no manuscrito, mas no texto final do livro, a mesma personagem passou a se chamar Pérola. A personagem aparece, no manuscrito, no fólio 209, e tem o nome de Safira. Permanece na aventura até o fólio 238, quando desaparece da vida de Dedé. Mas, no fólio 214, existe uma letra "P" rasurada, seguida, na linha, do nome Safira. A hipótese é que esse fólio marca a modificação do nome da personagem, que ficará conhecida com Pérola. As análises dessas modificações e seus significados estão no CD Rom.

 

Como se configura a linguagem de José Lins do Rego?

Em "Movimentos do Discurso de José Lins do Rego" mostramos que o autor, por exemplo, constrói, em várias ocasiões, uma linguagem popular regional como segundo movimento de escritura. Ou seja, o popular regional é uma construção proposital, de acordo com um projeto poético.

 

Que critérios metodológicos você utilizou nesta pesquisa?

O principal propósito foi verificar como se movimentou a linguagem em construção. Que movimentos o autor realizou na linguagem para construir um determinado discurso. A partir do texto referente, que foi a primeira edição de "Meus Verdes Anos", procuramos investigar no manuscrito as marcas dos movimentos escriturais do autor. Assim, analisamos rasuras, correções, modificações, considerando que o autor estava procurando a otimização do discurso. Procuramos reencontrar José Lins elaborando o texto que desejava entregar ao leitor.



Escrito por Adriana às 20h30 [   ] [ envie esta mensagem ]



 





BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, TAMBIA, Mulher, Arte e cultura, Música, surf, esporte
MSN - dricadidi

04/06/2006 a 10/06/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
12/06/2005 a 18/06/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
11/04/2004 a 17/04/2004



 
 


UOL
UOL SITES


 

 

Dê uma nota para este blog